Mensagem Transmitida: “Complexidade” Versus “Simplicidade”

MG_07_The-Masses

José Clemente Orozco, As Massas (1935)

Quais são os limites, individuais, que devemos utilizar, ou não, para a clareza de uma narrativa? Até que ponto aquilo que desejamos transmitir e o “público” – somos, quase todos, agora, emissores – “ganham”, na prática – de médio mas, principalmente, de longo prazo -, com a , socialmente impingida, “simplicidade” textual? No jornalismo, , na literatura, sobre a letra de uma música: é tema habitual. Debrucei-me, anteriormente, sobre ele em, mais ou menos longos, artigos de opinião. Nomeadamente: Formatação Informativa e Cultura Powerpoint (2012); O Elogio da Complexidade (2012). Relativamente aos abusos de uma retórica pseudo- democrática, por tentar “igualar” em vez de diversificar, que valoriza, a meu ver excessivamente, a questão da “legibilidade”. Em detrimento de uma, maior, liberdade, social, de expressão. De circulação de ideias. Actualmente prisioneiras, até certo ponto, da “ditadura da forma”. De uma, cada vez mais afunilada, competição mediática global. De uma velocidade que tenta alimentar, a custo, a economia, em queda, “tradicional”. Esta: que tenta imitar, para melhor competir, a, bem precária, “digital”. Reduzem-se, assim e tendencialmente, as possibilidades de fluxo de uma mensagem que poderia ser mais verdadeira. Porque mais virada para o interior. Hipótese à qual nos resusaríamos a dar o nome – sim: por uma questão de “hierarquia”  – de “conteúdos”.

A complexidade constitui, em determinados casos, sinónimo de alheamento. De um, “académico”, elitismo. Mas poderá ser com aquele confundida. Dependendo das circunstâncias: poderá contribuir para um maior progresso cultural e civilizacional. Por não nos limitar, unicamente, ao esperado. Ao adquirido. É que – afinal -: por quem?

Em termos políticos: o eufemismo e a metáfora podem servir para confundir. Contudo: a eficácia que se tenta atingir com o chavão e a frase curta é, afinal, utilizada não apenas para esclarecer. Mas com vista a seduzir e a controlar. Especialmente se, demasiadamente, enquadrada por este espírito de marketing – “ele está no meio de nós” -, contínuo, e de “gravata azul”.

Isto: também a propósito do artigo “Don’t be beguiled by Orwell: using plain and clear language is not always a moral virtue“. Da autoria de Ed Smith. Na New Statesman.

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