História e O Enigma de Sempre

Não houve era que, para melhor se poder orgulhar, não construisse uma arrogância. Como a nossa: que se ri – diz-se “superior”: como se falasse relativamente a um macaco qualquer (e mesmo assim…) – dos homens, que nos ensinaram, do “passado”. Como não existe idade que não tivesse vivido uma adolescência. Como agora: que desconhece, apesar dos anúncios ou “previsões” que andam por aí, a criação do futuro. Com igual – por um lado, legítimo, e por outro, igualmente injusto – desprezo por nós.

Podemos imaginar: alguns “antigos” fariam, imediatamente, uma comédia com aquilo a que hoje – porque não conhecemos mais nada – denominamos por “felicidade”.

Actualmente: enquanto uma facção, mais fugidia e radical, tenta, a todo o custo e com vários géneros de varrimentos e supressões, comparar o cérebro a um computador – decompondo-o em digitos -, menorizando-o, para que dele se possa, imaginariamente, aproximar; ao mesmo tempo que, num outro lugar, se tenta escapar à dor, ao prazer e ao corpo através de uma tentativa de “digitalização total” do espaço urbano e da sociedade; apesar do historiador David Cannadine ter acabado de editar o livro “The Undivided Past: History Beyond Our Differences” – como nos relata Mark Mazower através do artigo intitulado, muito simplesmente, “The Undivided Past’, by David Cannadine” e disponibilizado no Finantial Times – onde parece defender que, em nome de utópica uniformização social, a história e, portanto, a memória, como foi anteriormente formulada, deve ser alterada – eliminando a diversidade com fins políticos; com vista a uma “igualdade” (tendo-o a ele como molde?) -: a sensação que perdura é a mais básica de todas. A mesma do costume. Apesar de todas as versões; interpretações, opostas, da humanidade; fotografias, privadas, da realidade: não sabemos, muito bem, o que andamos aqui a fazer. A não ser, claro, que nos aldrabemos com certeza.

Relativamente a directivas actuais, como as que apontei no parágrafo anterior, não é que o homem, quanto a mim, ambicione “desaparecer” ou transmutar-se “em pontinhos de luz eléctrica” como a isso aspiram, cheios de horror a si próprios, alguns filósofos ou “profetas” da tecnologia. Mas, como já não abarca nem entende o que, ao longo de milénios, concebeu: necessita resumir-se. Arranjar uma síntese. Que só virá através de nova “mentira”.

Ao entrar numa igreja, como ateu, e olhar, na pedra, para toda a intemporalidade: questionei-me acerca do direito que tenho em criticar aquelas duas ou três pessoas, sentadas na madeira, que precisam de uma narrativa como o homem contemporâneo necessita de plástico; de lamber e de louvar o seu I- PAD. Continuamos – apesar dos slogans; embora os impulsos – na “Era do Desconhecimento”. Como foi. Como será.

Há enigmas que não são moldáveis. Permanecem, como sempre, à espreita. Para fazer desabar qualquer construção ideológica que vier a seguir. O panteão, de qualquer forma, disse-nos a partir daquela época: “cerrar os olhos”; “para a frente”.

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