2014: O ano de dizer adeus a “Bartleby”

Há quem afirme, como “génio” que deve pensar que é, “não ter influências”. Não gostar de “rótulos”. Percebo: “todos” gostariamos de ser únicos. Mas tal “especificidade” não nos serve para nada. Também não sou génio. E não preciso de o ser para saber que tive, tenho e terei múltiplas referências. De nada me serve escrever sem as crónicas ou os livros que li. Todos eles me enchem de esperança, renovadamente, pela possibilidade que me dão de poder escrever, sempre que posso, algumas linhas. É o passado que mo permite. E embora, para mim, a forma e a metáfora sejam essenciais como veículo para transmissão de uma mensagem: interessa-me, principalmente, escavar para tentar perpetuar, dentro das minhas possibilidades, a literatura que conheço. O mundo, no qual nos encontramos, persegue uma fuga constante. Tenta, ingenuamente, “formatar o sistema”. Achando que é, apenas, no “digital”, com toda a ideologia que o circunda, que vai encontrar uma espécie de “salvação” civilizacional. Este discurso, tantas vezes repetido nos últimos quatro anos, é um engodo. Estamos, como sempre e mais uma vez, a descobrir muitas das limitações às nossas aspirações: porque existe “música” que teimamos em não ouvir. Muita da “poesia” que foi – e que é – intemporal. Que necessita, agora, de ser resgatada. Para não deixarmos, no futuro, de a conseguir decifrar. De nada nos serve um clone se esquecermos o original. De nada nos serve a “inteligência” artificial se não valorizarmos o real. De nada nos serve o “futuro” pelo “futuro”. Porque, já foi dito várias vezes, o “mesmo” regressará sempre e outra vez. Sem aviso. Temos, por isso, que vasculhar o que foi escrito lá atrás. Para o podermos, com outra forma, repetir. Neste momento: isto faz figura de “inovação”. 2014 deveria ser, por isso, o ano em que dizemos adeus a “Bartleby”. Em que devemos dizer não ao não de “Bartleby“: dizer sim ao livro e à palavra escrita. Isto implica resistência. E, por isso, menor cedência ao “digito”. Continuarei, numa outra crónica, esta questão. Bom ano novo.

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