Pornografia In Loco

Deve existir por aí, através de alguma editora nacional ou internacional, a “História dos Filmes Pornográficos”. E, se não o há, deveria ser feita. Encontrariamos, no “baú”, muito “material” para investigar. Parece-me que, muitos deles, reflectem a época em que são ou foram realizados. Os actuais, por exemplo, conseguem, de forma exemplar, espelhar – digamos que de forma “simbólica” – a carga de agressividade política e social – e, como consequência, familiar; ou vice- versa – em que nos movemos. Uma “espreitadela” em filmes mais antigos – apesar de terem “mais pêlo” e pertencerem a épocas supostamente mais machistas – e nota-se uma menor predisposição para o “estalo” ou para a ultra submissão feminina. Goza-se, não raras vezes, com as faculdades de representação dos actores de filmes do género. Mas eles, no fundo, estão entre os melhores. Convenhamos que, apesar do discurso bem ensaiado – para uma certa glamourização que tenta esconder, no fundo, um sub- mundo psicológico um pouco mais trágico – em conferências de imprensa, tudo o que está por trás aparenta constituir uma verdadeira náusea: um cansaço. O tempo que é utilizado nos intermináveis takes para que se possam atingir as posições “perfeitas” – sempre as mesmas -, na troca de lentes para fingir que tudo o que´é filmado é maior do que o é na realidade ou o tempo de espera “para que as pastilhas azuis funcionem”: só pode “deitar abaixo” qualquer “membro”. Dizia o sexólogo português Júlio Machado Vaz, numa excelente crónica radiofónica difundida há alguns meses atrás, que as sociedades ocidentais actuais “são pouco eróticas”. Tudo parece ser do domínio do “pornográfico”. De uma violência que, ao contrário da excitação pretendida: castra. Os actores pornográficos representam, no fundo, melhor que ninguém o mundo em que vivemos. Não há ninguém que se consiga assemelhar melhor a uma máquina. A um robot. Pelo menos até ao momento. O que constitui, aliás, uma das máximas aspirações do momento: como diagnosticou, em tempos, o filósofo e psicanalista alemão Erich Fromm. O resto, ao que parece, é “conversa de café”. Um dia destes, como bom voyerista que sou, ainda me meto em algum local de filmagens. Para lhe “tirar as medidas”. Como sempre: não há nada como uma boa desconstrução. In Situ.

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