Uma Flor no Meio dos Escombros

Por vezes não existe outra hipótese, para que possamos desbravar um pouco mais de terreno, do que nos deixarmos levantar. Para, assim, recomeçarmos a navegar. Esta atitude, que considero ser mais ou menos literária, mais ou menos poética e mais ou menos anarquista – em sentido próprio – prefigura uma espécie de amálgama que é, contudo, também uma redefinição. Como saída: a de ir de encontro a renovados  focos de luz. Mais importante do que isto: a construção de novos focos através de uma actividade criativa – não, exactamente, a das “indústrias criativas” – que conduza, no polo oposto, a uma outra criação. Uma re- integração. Para isto: convém , por vezes, saltarmos do barco no qual, então, estamos a circundar. Para mergulharmos em águas profundas, nunca antes visionadas, para a demanda de algumas pérolas. Mas atenção: pelo caminho encontraremos, talvez, tubarões com os dentes cerrados. E, cá por fora, caso tenhamos encontrado uma pequena ilha no meio do oceano, submergiremos no húmus debaixo de uma torrente de chuvas ácidas. Convém, chegados aí, apanharmos com um relâmpago de aviso. Que nos faça ter cuidado com alguns dos altos voos que resolvemos, um dia, escolher. É esse o momento em que o peito se abre: onde estarão, à nossa espera, algumas chamas: as plantas carnívoras. Mas no meio delas, acredito, será encontrada – ou plantada – nova flor. Aí entenderemos: a caneta está pronta. Para que possamos saltar, de novo, de penhasco em penhasco. Desta vez: com uma outra segurança.

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