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Smartphones e Poluição Ambiental

Desculpem-me a “arrogância”: mas quase que tenho pena de gastar um pouco do assunto que se segue no meu próprio blogue. Ao mesmo tempo que o movimento de digitalização – atenção: – total se perde – e nos perde – em demagogias; se eterniza convencendo-nos, demasiado facilmente e para, mais rapidamente, se implantar, dos problemas morais e ecológicos associados, unicamente, à indústria do papel – o que é simples de perceber: o meio favorece-se. Descrimina, por defeito, interpretações alheias, menos “sintéticas”, de mãos dadas com esse, inoportuno, cheiro da terra -; ao mesmo tempo que, em fábricas da Apple “deslocadas”, convenientemente, para a China, adolescentes passam cerca de 15 horas por dia a limpar ecrãs com solventes tóxicos; ao mesmo tempo que uma reportagem emitida na televisão pública alemã, Hesse HR, acaba de denunciar as condições em que trabalham emigrantes, subcontratados, pela Amazon – para além da, habitual, fuga aos impostos a nível internacional – : um artigo da autoria de Kiera Bufler, intitulado “A Ameaça Oculta dos Smartphones“, disponibilizado no número correspondente a Novembro/ Dezembro de 2012 da publicação, radicada na cidade de S. Francisco nos Estados Unidos da América, Mother Jones e agora, também em formato reduzido, na edição, portuguesa, de Março do Courrier Internacional, relata-nos que a construção dos smartphones constitui um – a tradução é de Ana Marques – “circuito pouco edificante que permite aos países ricos extrairem recursos preciosos de estados pobres, deixando a estes a conta da limpeza.”. Continua: as instalações de processamento de terras raras “são construídas em regiões onde as normas ambientais são quase inexistentes”. Servem para a extracção de metais raros e imprescindiveis para o sector da electrónica de grande consumo. Contudo: “aparecem associados na natureza a elementos radioactivos como o tório e o urânio, e separa- los em segurança é um processo complexo”. Para além das “fenomenais” quantidades, necessárias, de água e energia. “Se os depósitos de resíduos onde os elementos radioactivos são armazenados definitivamente não estiverem bem revistados, há riscos de infiltração em lençóis freáticos”. “Sem contar com o facto de estes detritos radioactivos deverem ser armazenados para sempre, porque o tempo que levam a perder a radioactividade é de 14 mil milhões de anos para o tório e de 4, 5 mil milhões para o urânio”. Só para relembrar: o planeta Terra existe há cerca de 4, 5 mil milhões de anos. Isto: devido à, controversa, implantação, na Malásia, de uma instalação de processamento de terras raras por parte da companhia australiana Lynax Corporation.

Chow Kok Chew, membro de um grupo de manifestantes que se opõe à presença da empresa no país, “passa grande parte do seu tempo livre a informar-se sobre o complexo e encoraja os seus amigos a fazerem o mesmo”. Afirma: “Se não fizer nada tenho medo que um dia os meus netos me digam: avô, da primeira vez não disseram nada. Da segunda vez também não. Porquê?”. A “primeira vez” refere-se à fábrica Asian Rare Earth, copropriedade da Mitsubishi Chemical, que fornecia, também, metais raros, nos anos 80, para o sector da electrónica. Em cujo aterro foram detectados “níveis de radioactividade 88 vezes superiores aos máximos internacionais”. Cuja falta de segurança conduziu ao seguinte: “muitos abortos entre as mulheres das vizinhanças. Também frequentes casos de recém- nascidos franzinos, cegos, com perturbações mentais ou sofrendo de leucemia”.

O artigo é extenso mas, devido à quantidade de pormenores, vale a pena ler na integra. Deixei para o fim, não por acaso, estes dois: “os americanos compram cada vez mais produtos electrónicos, mas apenas 24 estados exigem que os fabricantes ofereçam apoio à reciclagem dos equipamentos. Isto significa que apenas 25 % de todos os equipamentos electrónicos (e 11% dos telefones e outros aparelhos móveis) são recolhidos”; “se as terras raras são teoricamente recicláveis, apenas 1 % destas são, actualmente, objecto de tratamento”.

1%? 

É suficiente para um frente a frente?

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O Plástico que Circula Na Cadeia Alimentar

Segundo um artigo, da autoria de Esther Sánchez e publicado na edição em linha do El País, intitulado “El plástico ha llegado a la cadena alimentaria“: calcula-se que existam, actualmente, cerca de 100 milhões de toneladas de plástico, em suspensão, nos oceanos. Entrou na cadeia alimentar. Segundo Manuel Maqueda, licenciado em Direito e Ciências Económicas e fundador de diversas ONGs como a Plastic Pollution Coalition, a questão “transformou-se num monstro que ameaça devorar-nos de forma silenciosa, porque está por trás de muitos tipos de cancro e  inclusivamente da hiperactividade das crianças”. Está a ser debatida este fim de semana em Madrid. Na conferência “Por um Mar Sem Plásticos”.                                                


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