Category Archives: Apontamento

A “Beleza” como tentativa de “Verdade”

O que é que a “verdade” tem a ver com a “beleza”? A procura desta última – como continua tentativa do humano para polir aquilo que não deseja ver – parece ser, muitas vezes e, também, para a “ciência”, forma de selecção na procura de uma “teoria certa”. Que encaixe melhor. É tema já antigo. Como quase tudo: tentativa de ilusão. Como se uma forma mais “perfeita” validasse aquilo que aspiramos encontrar: religião. Mas, afinal, para além de uma “elegância”: não é a verdade, mesmo que doa, o que interessa procurar? Cristopher Shea escreve sobre o assunto, através do artigo “Is Scientific Truth Always Beautiful?”, no The Chronicle Of Higher Education.

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No México: Não se Mata a Verdade Assassinando Jornalistas

Numa época em que tudo se relativiza e se comercializa – e, portanto, tudo é “jornalismo”; tudo é “content” – favorecendo a detioração da percepção da realidade, dos factos e da  exigência – confundida, convenientemente, com “elitismo” -: apetece subir, trazer cá para baixo  e mostrar. “No se mata la verdad matando periodistas“, cujo imprescindível documentário se encontra por cima deste apontamento, é o título de uma iniciativa em que 126 jornalistas contam a história de outros tantos. Dados como “desaparecidos” ou que morreram nos últimos doze anos. Na guerra, iniciada no ano de 2006, entre o governo e o carteis da droga mexicanos. O projecto é da Nuestra Aparente Rendicion (NAR). Organização civil destinada a despertar consciências relativamente a vítimas e respectivos familiares. Foi concebido para ser acedido através do sitio oficial. Transformou-se, rapidamente, num projecto maior. “Transcendendo o virtual”. Convertendo-se, também, em livro. “Para que chegasse ao maior número possível de mãos e olhos”. “Para que servisse de testemunho material”.

Pormenores no artigo, do Editors Weblog,  “Mexican Journalists Strive to Keep the Truth Alive With Book About Vanished Colleagues“. Redigido por Emma Knight.


Alterações Climáticas: Evidências

Apesar de todas as tentativas de describilização por parte de personagens como Rupert Murdoch: o clima está  a mudar. Os Estados Unidos da América enfrentam uma das piores secas de sempre. Beijing bate recordes em termos de chuva torrencial. O Japão também. Em determinadas regiões africanas, como Sahel, não chove há cerca de dois anos. Causando a morte de milhares. A fome de milhões. Como sempre: a humanidade  age à beira do “abismo”. Vivemos, em vários domínios, debaixo do sindroma da ilusão do “crédito perpétuo”. “Depois resolve-se”.

O Prague Post toca no assunto. Num artigo, de Jeffrey D. Sachs, intitulado Weathering The Change.


O despedimento como “inovação”

Uma das caracteristicas conhecidas da época – além da precaridade; dos despedimentos – é a “sublimação” da realidade. A utilização do eufemismo para mascarar factos e acontecimentos. Ou seja: a cobardia. Técnicas desenvolvidas pelo marketing. De sedução. Para “relações públicas”. Tem a “vantagem” de ajudar a nos enganarmos uns aos outros. A particularidade de suavizar a dor. A dor, claro, de sermos criticados. “Banal”. Reparem, contudo, na “sofisticação”. Para não ser mais “erudito” e dizer: a lata. O jornal The Daily, propriedade da News Corporation e concebido unicamente para tablets, anunciou, na terça- feira passada, o despedimento de 50 funcionários. Isto, actualmente – especialmente em jornalismo -, é normal. Como o são as frases seguintes: “Nós acreditamos que um produto e uma organização saudáveis são as que continuam a mudar“; “Estas são mudanças que vão tornar o jornal mais forte editorialmente e que se concentram nos elementos que os consumidores nos demonstraram gostar”,. Isto, segundo o editor chefe Jesse Angelo, como justificação. Eles acreditam.Inovação”. Amen.

Para conferir em artigo, no diário Público, de Marta Portocarrero.


A Polícia do “Futuro”

Entregamos, crescentemente, a responsabilidade das nossas acções a aplicações de software que fazem interpretações a partir da estatística e da recolha de dados pessoais. Relativiza-se – em nome de quem e de quê? – a noção de privacidade pessoal. A “segurança” – o chamado “policiamento preventivo” – não lhe escapa. Quais as implicações? Quais os benefícios e qual o preço a pagar? Onde entra. aqui. o facebook? Brilhante artigo de Evgeney Mozorov no Folha de S. Paulo.


O Dilema do Foto- Jornalista

Deve um foto- jornalista intervir no local de acção? Que barreira existe entre a consciência de agir e a de documentar? Fotografar uma situação- limite será mais socialmente benéfico do que a tentar resolver? Num universo digital que se concentra crescentemente na “indústria de conteúdos” e que fomenta a normalização do fenómeno do “jornalista- cidadão”: poderá o smartphone “paralisar”? Ajudar ou “partilhar”? Sobre estas questões ler o artigo “Degrees of Detachment: The Journalist´s Role in a Tragedy” de Emma Knight. No Editors Weblog.


“Fit to Print”, documentário sobre a crise jornalistica norte- americana, em pós- produção.

Há quem insista, de forma fundamentalista, que “é preciso” acabar com aquilo a que, agora, se chama de “mentalidade” da imprensa e do papel. Em direcção a um suposto futuro exclusivamente digital. Não se vislumbra, aqui e por vezes, onde acaba o desejo de combate geracional e começa a seriedade argumentativa. Nem o que a separa da necessidade de uma sensação de “modernidade” pela “modernidade”. De uma vontade de “sofisticação” contra aquilo que em quatro ou cinco anos – exacto: quatro ou cinco – se tornou popular chamar de “tradicional”. Ou seja: tudo o que não alimente a indústria “digital”. Enquanto existir esta ânsia em se ser “guru”: não sairemos da adolescência. A discussão não ultrapassará a fase da futilidade. Do puro negócio. Não circundaremos aquilo que importa: investigação e jornalismo. Os formatos não são comparáveis. Cada um deles representa, em termos sociais, uma vantagem adicional.

Fit to Print é um documentário que se encontra em pós- produção. Que reflecte acerca dos problemas que os jornais enfrentam nos Estados Unidos da América. As consequências que tal acarreta para a democracia. Aqui fica o sítio: http://fittoprintfilm.com/. Aqui deixo a página do facebook.


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