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“A Geração Mais Bem Preparada de Sempre” ( Sobre o 25 de Abril e o Documentário “48”)

Assisti, no passado dia 25 , na Casa do Professor, em Braga, a um excelente documentário intitulado “48”, realizado por Susana de Sousa Dias, sobre a forma como os presos políticos foram torturados fisicamente e psicologicamente por membros afectos ao regime salazarista. Trabalho cinematográfico que, segundo o texto que o acompanha, durou cerca de dez anos a ser concluído. Na minha opinião: deve ser visto por toda a gente de todas as gerações. Trata-se de uma compilação de fotografias das pessoas que foram encarceradas que se vão sucedendo, pausadamente, à nossa frente enquanto são acompanhadas por relatos actuais, marcados por aquilo que a memória lhes permite, das condições a que foram sujeitas. Não podemos deixar de olhar. Muito menos de nos angustiar. Constituem emotivos testemunhos de morte. De fome. De meticulosas torturas permitidas por toda uma máquina e um sistema organizado conivente. Perante aquilo a que assistimos: o silêncio. E o choro: de uma das pessoas que assistia atentamente ao documentário.

Devia, repito, ser visto por todas as gerações: apelo que não é inocente relativamente ao debate que se desenrolou no final. Não estava muita gente: o que já era de esperar. A cidade de Braga oferece cinema gratuito em alguns espaços que constituem alternativas ao monopólio standardizador das distribuidoras que operam nos grandes centros comerciais. Que convidam a uma visualização atenta, envolvente e sem distracções: cinema. Mas a existência de projectos como este parece não ser, muitas vezes, suficiente para arrancar as pessoas do sofá que se encontra em frente ao televisor. Ou da cadeira que se encontra em frente a esse aspirador cultural contemporãneo denominado como internet. Que sedimentou, nos últimos anos, o sedentarismo. Éramos, na sala de projecção, cerca de dez pessoas que variavam entre os 18 e, talvez, os 60 anos de idade. Predominavam, contudo, os mais novos: a “geração dos oitentas”, a “geração à rasca”, a “geração mais bem preparada de sempre”. Resumindo: a “geração do desenrasca”. Não utilizo estas expressões, nem as repito, de ânimo leve. Coloco-as para uma chamada de atenção: a pessoa que introduziu o debate, que parecia ter cultura política e cinematográfica, pertence a essa “geração”. Foi um prazer ouvi-lo na forma como reagia, comentava o que tinhamos acabado de ver e ouvir e interpelava os espectadores. Detinha, adicionalmente, uma aptidão rara na era da visualização YouTube e de consumo de produtos culturais de curto prazo: não foi uma pessoa que viveu Abril que esteve ali, portanto, a tentar alertar consciências com um documentário duro, demorado, sem grandes artificios técnicos.

A sessão, contudo, estava carregada de simbolismo. Porque se exaltou, a meu ver, ao elevar em demasia a “geração” da qual faz parte. Que, segundo ele, “tem uma cultura e uma potencialidade…”: referiu, entusiasmado, elevando os braços. Uma das pessoas que se encontrava atrás de mim arruinava, entretanto, a sensação de espírito colectivo “geracional”: “Não sei para que servem estas coisinhas. Já não vou dormir de noite”. Quase que não é preciso referir que toda a gente se virou para tentar compreender o tom daquela expressão: “coisinhas”. Em vez de uma tentativa de tomada de consciência: seria, pelos vistos, preferível o esquecimento. Há – muitos – filmes assim: feitos para nos tirar o sedativo que nos ofereceria um qualquer blockbuster escapista. Embora, é certo, com cada vez menos possibilidade de distribuição. Apenas um outro reparo: o anfitrião, pelo meio do inteligente discurso, não resistiu a um segundo chavão ao estilo das discussões políticas que imperam nas redes sociais: “a geração que nos meteu no buraco”.

Hoje em dia temos mais “informação” disponível. Mas o jornalismo que é feito não é mais exigente nem mais pormenorizado. A troca de informação através das redes sociais é, não raras vezes, arbitrária e sensacionalista. Para além do facto de monopolizarem e standardizarem o discurso e a distribuição de artigos. Não é exactamente a qualidade a imperar. E as condições de visualização, como comprovam diversos estudos, não são as melhores. São raras as pessoas que conseguem ler, atentamente, artigos até ao fim. É por essa razão que há toda uma quantidade de “especialistas” e de “gurus” a ensinarem a “escrever para a internet” de forma mais simplificada. É também por essa razão que vigoram, hoje mais do que nunca, os “infográficos”. Os cursos universitários actuais também não são mais exigentes. Bolonha simplificou-os. As universidades, por sua vez, transformam-se em “incubadoras” ao tentarem seguir modelos de gestão que se aproximam ao espírito empresarial. O objectivo passa a ser a confecção de “produtos” que vendam. Não necessariamente o conhecimento e a investigação que não trazem títulos chamativos para colocar artigos “científicos”, de consumo imediato, nos jornais académicos em linha. Por outro lado: a internet não foi inventada pela geração dos “80´s”. Nem a Apple. Nem, por exemplo, a Amazon. É preciso ter calma. Há toda uma história humana para trás. A actual “formatação do sistema” não o pode ignorar. Existe, é certo, uma evolução cultural. Mas o ser humano, estruturalmente, continua a ser o mesmo. Não existiu, dos anos cinquenta para os oitenta um salto ontológico. Ninguém irá levantar voo. Ou partir numa nave espacial. Os sonhos, de qualquer forma, são importantes. Mas contra o narcisismo contemporâneo: teremos sempre as desilusões. Nada está acabado. Na presente situação política e económica internacional não esqueçamos, portanto, depoimentos como aqueles que nos oferecem documentários como “48”. Que venha mais cinema assim. Para nos lembrar do que, afinal, todos podemos ser feitos. Em qualquer geração. Veremos a “potencialidade”: quando forem líderes, erigirem novas instituições e quando conseguirem solidificar, através também do passado, um pensamento de futuro. “Formatar o sistema”: sim. Ele precisa. Mas com os olhos bem postos na História. Evoluiu, essencialmente, a técnica. Falta o resto.


O Triunfo da “Desigualdade” ( A Mosca em Frente à Planta Carnívora)

Por meados dos anos noventa, quando frequentava o liceu Sá de Miranda, mudei-me, com os meus pais, para uma casa que se situava nos arredores da cidade de Braga. Na zona de Palmeira. Morei, entretanto com o passar dos anos, em várias localidades diferentes. Em Portugal e, mais tarde, em Inglaterra. Nunca me esquecerei, contudo, das sensações que experimentei nessa altura. Que transporto desde então. Por exemplo: as que me eram transmitidas pelos canteiros de flores arranjados pela minha mãe. Ou por algumas laranjeiras dispersas pelo jardim. Costumava deitar-me no telhado, logo a seguir ao jantar, enquanto bebia um copo de Martini, quebrando as regras de “boas maneiras”,  sempre a tender para o cheio. Olhava, desta forma, para as estrelas enquanto sentia a intensidade do aroma que vinha das laranjas que tinham crescido nesse primeiro ano. Devo dizer que, até hoje – não vale a pena discutirem comigo sobre isto -, não experimentei melhor sumo. O jardim frontal, exagerando, parecia uma floresta em miniatura, com gnomos aos saltos ou talvez estrunfes, que dava para as traseiras e para uma das paredes laterais de uma pequena habitação, onde morava uma outra família, que “exigia” ser pintada de branco. Lembro-me de, em conjunto com o meu pai, iniciar a “empreitada”. De ter um especial prazer em preencher as linhas e os espaços que circundavam as inúmeras saliências, em pedra cinzenta, que percorriam a parede de um lado a outro. Gostava de o ajudar nesta tarefa. Armávamo-nos, no fundo, em estetas. E, por isso – como todos os estetas -, em ditadores: a nossa estava demasiadamente bem arranjada para acharmos que não tinhamos o direito de impor o nosso “bom gosto” à casa dos outros. O que não foi, de qualquer forma, concluido. Cansados: resolvemos abandonar a tarefa para a podermos retomar mais tarde. O que não voltou, não sei porque razão e apesar de continuarmos ali a viver, a acontecer. Fui, entretanto, para uma Universidade na cidade do Porto estudar jornalismo. Para regressar apenas aos fins de semana. O trabalho continuou, dia após noite, por finalizar. Perguntei-me, durante os anos, porque é que não tinha continuado a fazê-lo sozinho. Era questão que me angustiava. Devo dizer que até hoje, por mais insignificante que pareça, nunca a consegui resolver. Aquela parede tinha que ser pintada até ao fim. Este pormenor, por mais desinteressante que possa parecer a um leitor, é aquele, olhando em retrospectiva, que mais me marcou enquanto ali morei. É uma daquelas sensações que, não podendo ser explicada verbalmente, faz parte daquilo que considero pertencer ao domínio do “incomunicável”. Existe, nela, uma qualquer riqueza interior que parece abraçar outras cores que não o branco – e já o sabemos: o branco esconde; é mistura; espécie de conclusão -. Ela está por trás deste pormenor, aparentemente insignificante, e faz com que “confirme” para mim mesmo – sem precisar de recorrer à estatística – que, por vezes e como num sonho, o mais importante não é aquilo que é discernível: o imediatamente “agarrado” por uma designação. Se calhar: nem com um quadro. Como conseguiria, como “artista” que não sou, transmiti-lo? Isso seria qualquer coisa do domínio da “meta- pintura”: um pintor angustiado que não consegue finalizar uma “Tela Sobre Pintura Inacabada” – talvez a solução fosse, exactamente, não a terminar?. Se determinados escritores têm bloqueios temporários ou definitivos que costumam denominar como “síndrome de Bartleby” – sobre o qual me debrucei em duas crónicas anteriores (1) e ao qual regressarei futuramente – : os pintores teriam, se já não o fizeram, de arranjar designação própria para sintoma semelhante. Alguns “racionalistas” – como “maníacos” do “cérebro” que costumam ser – tentam defender- se. Tornando, assim, a existência mais “interessante” para eles próprios. Contudo: mais desinteressante para outros. Com aquilo que, não raras vezes, apelidam de “razão” ou “progresso”. Como eles o conseguem entender. Por este motivo: têm, quase sempre, muita dificuldade em conseguir atribuir importância à complexidade que se esconde por trás do inominável que pode existir na aparente banalidade de algumas características de um qualquer universo interior. Evitando-o fazer: pretendem, a partir de si próprios, massificar. O que lhes interessa é “quantificar”. Para construir, de preferência, uma sensação – mesmo que falsa – de comunhão.  Não compreender: podem, desta forma, considerar-se “iguais” uns aos outros. Confortáveis numa maioria imaginária. Por não ousarem raspar mais fundo que a superfície da “moral” que distribuem e que forjam para si mesmos. Referem-se, normalmente, a eles próprios como “nós”. Os “bons”: os que estão sempre “certos” através da quantidade. Quanto maior é o número: mais “correctos” acreditam estar. Para isto: necessitam de uma espécie de eliminação das diferenças. Sentem-se, no meio de “clones”, mais quentes e aconchegados. Evitam o “eu” ou qualquer género de especificidade. Dizem, por exemplo, que o pormenor de um sonho é algo que “não se consegue medir”. Ou que “não traz resultados imediatos”. Um poeta, pelo menos, parece perceber – ou querer entender – alguma coisa. Por ser detentor dessa espécie de “superioridade” à qual poderemos chamar de intuição. Ele “sabe”, como subjectivista, a “razão” – a única !; a dele ! – de ser como é. Não lhe interessam as “provas”. Sabe, adicionalmente, porque é que não deseja ser um “racionalista”. Também suspeita porque é que o “racionalista” prefere não ser subjectivista: não estar atento ao pormenor. Enquanto que o “racionalista”, em sentido inverso, não costuma discernir uma coisa nem a outra. Não consegue nomear qualquer flor que tenha dentro de si próprio. A tal não se permite. Porque teme encontrar – e este é o seu maior problema – as plantas carnívoras. Podemos dizer que aqui: ele é quem teme ser mais “mosca”. Pelo contrário. Quando surge o perigo de uma pétala: arranca-a imediatamente. Para, logo de seguida, tapar o orifício. Através de continuada e insistente produção de “cimento”: horrorosamente cinzento. O poeta, de qualquer forma, perderia pouco tempo a tentar-nos “explicar” o que quer que seja. Conhece muito bem as cores que existem. Sabe que as grelhas de interpretação da “realidade” são tão múltiplas como o número de habitantes na Terra. E, quanto a isto, não existe “diplomacia” ou “política” que nos “salve”. Estamos, por isso, “condenados” a não nos entendermos completamente uns aos outros. Por mais “teses” e “estudos científicos” que se tentem. Esta, para mim, é questão essencial: “para que nos servem” todas as “estatísticas” se, grande parte das vezes, nem sequer nos conseguimos provar e explicar a nós próprios? Não há dúvida: a ingénua “sociedade da informação” e a do “conhecimento”, nisto, é demasiado “ocidental”. Precisamos de um “casamento”. Ou então: fujamos dos “racionalistas”. Não sabem pintar: se o fizerem é para se esconderem. Para apresentarem, para divertir a comunicação social e, com isso, fugirem da arte que nunca conseguiriam fazer, um urinol invertido, um quadro branco ou pintado por um macaco qualquer. Se tentarem a música: não terão paciência para nada que nos ofereça demasiadas ondas. Evitarão, principalmente, o mar alto. Negarão Tchaikovsky. Preferirão a monotonia de Vivaldi. Relativamente à música “actual”: pousarão as guitarras. O rock faz vibrar a pele. Mexe, “em demasia”, com as entranhas. Pelo contrário: ligarão, como sempre, os computadores – se possível: ligar-se-ão aos computadores – para construirem, em série, “loops” repetitivos. “Nada de variações”. Se ousarem escrever: sentirão principalmente terror pela metáfora. O que lhes interessa é serem “entendidos”. “Objectivos”: através da “legibilidade” mercantil. A poesia, para eles, lembra dor: emoções que deixaram de conseguir aguentar. Além do mais: parece ser demasiado “feminina”. Um “racionalista” faz-me agora uma pergunta: “esta crónica, que agora termina, foi exactamente sobre o quê”? Respondo: “não precisas de compreender. Não é “produtiva”. Não te vai trazer “resultados imediatos”. Olha para ela como um quadro inacabado. Mas por agora termina…”

(1) As crónicas que menciono no texto presente são “2014: O ano de dizer adeus a “Bartleby”” e “Vontade de Escrever (Contra a Pulsão Negativa)


Viagem ao Centro da Terra: Neuro- Psicanálise e “Integração”

Interrompi a leitura, há quase dois anos, do último livro de António Damásio intitulado “O Livro da Consciência” – ao que parece: uma obra que faz o ponto da situação do trabalho desenvolvido até agora desde o aclamado “O Erro de Decartes” de 1995 – . Parei no início da página 155. Onde começa o capítulo “Como sentimos uma emoção?”. Encontra-se à espera, desde então e no meio de outros, na mesa de cabeceira. Até agora. De vez em quando perdemos o interesse relativamente a um tema, sem percebermos muito bem porquê – embora acredite que existe quase sempre uma razão subjectiva para além do habitual “não me apetece” -, para o recuperarmos, sem “escolhermos” conscientemente a data e o momento, de repente. Devo dizer que a neurologia é das áreas que menos me entusiasma. Há  sempre, nela, qualquer coisa de incompleto em termos explicativos. Muitas das interpretações que são dadas a partir de estudos acerca dos quais temos conhecimento a partir da comunicação social parecem-me, quase sempre, ingénuas. Para não dizer pretensiosas perante muito do que se escreveu anteriormente. Mas vivemos um tempo em que impera a “especialização”. O que impede, não raras vezes, um conhecimento em direcção a algo mais geral e integrado.  A pressa na publicação de artigos “científicos” para se ser “citado” ou para dar visibilidade ao jornal académico na economia digital – que vive da barata publicidade que lhe oferece a quantidade – não ajuda. Como também o, cada vez mais reduzido, espaço disponível nos jornais generalistas: tudo tem que ser “objectivamente” explicado. Mas António Damásio, como todos os neurólogos sérios, sabe o que anda a fazer. Não se fecha: tenta uma ponte com o pensamento de Sigmund Freud – e com aqueles que o seguiram ou desenvolveram – através da neuro- psicanálise. O inventor da prática psicanalítica foi, a seu tempo, também médico neurologista. Mas considerou, na altura, que a área estava longe de trazer resultados satisfatórios em termos de entendimento do ser humano. Há quem diga que, apesar do progresso, o mesmo se continua a passar hoje em dia. Há características, menos quantificáveis, que a tecnologia, sozinha, continua a não conseguir apreender. Quando “defendo” a psicanálise não o faço em nome da “terapia”. Mas sim como corpo teórico. Como “teoria geral da acção humana”: expressão normalmente utilizada pelo antropólogo português José Gabriel Pereira Bastos no programa, da portuense Rádio Manobras, “Conversas Freudianas”. Falando, portanto, em emoções: há qualquer coisa nestes autores que parece ultrapassar tudo o que normalmente é explicado noutras disciplinas. Não apenas ao nível da complexidade. É qualquer coisa que nos transporta quase a um último sentido. O resto, embora vasto e interessante, parece ficar à tangente e tocar, apenas, a superfície. E acaba, não raras vezes, por desapontar. Para utilizar uma analogia nada sofisticada: é mais ou menos como uma “raspadinha” que fica por esfregar. Com esta atitude, contudo, perde-se quase “tudo”: ganha-se “racionalidade”. Uma “explicação” resumida. Mas perde-se “poesia” e unicidade: a tempestade que falta e que talvez só consigamos encontrar nos escritos de um filósofo como o alemão Friedrich Nietzsche. Sobre o qual Sigmund Freud afirmou um dia, aliás, ter “mais conhecimento penetrante acerca de si próprio que qualquer outro homem que tenha até hoje existido ou que venha a existir”. Convém, por isso e periodicamente, abandonarmos as “especializações” e a “objectividade”. O “racionalismo” pós- moderno, não raras vezes, tem qualquer coisa de paradoxalmente “irracional”. Pouco intuitivo. Aparenta ser, de certa forma, um “sistema defensivo” contra a realidade última das coisas. Que nos impede de ver um pouco mais longe. Para conhecermos o corpo, o que está por trás da “pele” e da consciência; para encontrarmos consistência: precisamos, por vezes, de ser subjectivos. Pegarmos num candelabro e, acompanhados por uma banda sonora de um dos primeiros filmes russos que foram realizados, a preto e branco, prepararmos uma descida aos infernos: fazer uma viagem ao centro da Terra, ainda em chamas, para apanharmos todas as plantas carnívoras. Isto é, para utilizar uma expressão de António Damásio, “consciência de si”.


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