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Contos e Fábulas: A “Inteligência” Artificial

Algumas das teorias e projecções afectas à “Inteligência” Artificial são apresentadas como tentativas de “resolução” do presente e para o futuro. A mim, contudo, parece-me que tentam mascarar, simultâneamente, uma espécie de “desistência”. Desprezo: da humanidade por ela própria. A “eterna” vergonha da carne, do corpo e das emoções: uma falta de confiança. E o eterno desejo da “animalidade” – exactamente para que lhe possamos escapar – pela imortalidade. Encontramo-nos, agora, debaixo de nova batina. Inúmeros escritores e ensaístas não pararam de escrever e de teorizar, de forma sistemática e pormenorizada, sobre o problema. Estes temas, contudo, ainda não são – novamente: porque já o foram um pouco mais – muito “populares” entre alguns dos nossos contemporâneos. E como haveriam de ser? Entramos em crise sistémica.  Sinto que não deveria ser, de qualquer forma, muito complicado de se intuir. E insisto que, aqui como em outros assuntos, se lhe devia dar mais algum valor: à intuição. Em vez de nos deixarmos guiar, em quase tudo, por vontades, alheias e disfarçadas, de “futurologia”. Apenas porque, por fim, acabam por constituir mais algumas interpretações de um género de poder que, para já, pensa-se que há-de vir. Algumas das versões, para o futuro e como no passado, que nós, humanos, contamos – porque, ao fim e ao cabo, tudo isto são fábulas – e prometemos para nós próprios e para os outros, parecem, pura e simplesmente, variantes da necessidade de uma religiosidade, de uma ilusão: da espiritualidade do costume. Penso que precisamos, mais do que nunca e outra vez, de fazer uma distinção entre as diversas teorias existentes. As que, pelo menos, pareçam socialmente ou minimamente sérias. O resto é festa: delírios e enganos no enorme parque de diversões. Havemos, contudo, de entrar em bom caminho. Percebi-o – intuí-o – ontem.


A “Beleza” Como “Tentativa” de “Verdade” (II)

Platão e Aristóteles em "A Escola de Atenas". Pintura de Rafael. Fotografia de Ted Spiegel/Corbis.

Platão e Aristóteles em “A Escola de Atenas”. Pintura de Rafael. Fotografia de Ted Spiegel/Corbis.

No seguimento de uma postagem anterior: por muito que se tenha tentado, desde sempre, fugir à, “perigosa”, imaginação, ao instinto, ao “baixo- ventre”; por muito que se procure um remendo através do sistema defensivo que constitui a “superioridade” da “ciência” e da “razão” – entre aspas para a relativizar: existem, quando muito e para não sermos idólatras, cientistas -: estas duas não estão imunes, longe disso, a serem “contaminadas” pela necessidade de um “propósito”. De uma “finalidade”. A “verdade” é, também e como tudo, uma, instintiva, guerra entre vontades. E, algumas delas, não escapam à ilusão. Sobre esta questão: um bom ensaio da autoria de Steven Poole: “Science can’t stop talking in terms of ‘purposes’, but if the universe cares about us, it has a funny way of showing it“. Disponibilizado pela aeon.


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