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As letras estão de regresso à Alemanha?

Atenção que está a ocorrer um pequeno fenómeno relevante: Segundo a publicação Der Spiegel: a editora alemã Suhrkamp acaba de editar, sob a forma de um livro com cerca de 50 páginas, a transcrição de uma conferência sobre a extrema direita,que Theodor W. Adorno realizou, em 1967, para estudantes austriacos. Subiu ao primeiro lugar de vendas na categoria “ensaios”. O livro chama-se “Acerca da Extrema- Direita”. Fotos do livro têm sido publicadas no Instagram e a hashtag# Adorno tem-se multiplicado no Twitter. Isto mostra uma tendência crescente , pela população mais jovem, pelas ciências sociais. A editora já vai na quarta edição num período de três semanas. Também se tem verificado um sucesso surpreendente pelo “O Capital” de Marx,o “1984” de Orwell bem como os trabalhos de Sartre, Albert Camus e Freud. Os estudantes estão-se a virar para os “antigos” na busca de referências intelectuais e isso só pode ser bom. Tenhamos fé nas gerações mais novas.


A Nossa Ilusão (Um Problema de Tradução)

Assistimos, no momento presente, a um problema de “tradução” que considero ser, tendencialmente, mais ou menos geral: muita gente a “esbracejar” dentro e fora de redes sociais. Mais do que do livro, do artigo de opinião, do “conhecimento” ou da “informação”: podemos baptizá-la, num contexto que é favorável a todo o tipo de catalogações apressadas, de “Sociedade do Comentário”. Há não muito tempo atrás, para dar um exemplo que me parece ser essencial, um tradutor de uma obra específica não teria de conhecer, unicamente, um determinado idioma na perfeição. Ele era “obrigado” a dominar o campo de estudo, a conhecer a fundo o autor a traduzir, ser mais ou menos especialista – no que isto tem de “tradicional”, “antigo” e, portanto, pormenorizado – em filologia para conseguir determinar o contexto temporal e, por isso, moral em que determinada obra, palavra ou expressão teria sido escrita. Se fosse caso disso. O que, em certa medida, “acabou”. É um género de gente que, hoje em dia, serve para “abater”: eles “pretendem” dar cabo da “democracia”: é que, agora, qualquer editora ou start- up pode, gratuitamente ou por “cinco tostões”, contratar um “chacal” que vagueie pela “China”. Isto passa-se em grande parte dos sectores comerciais: “É a crise!”. Favorece-se, para a combater, portanto: mais crise. Não admira que pouca gente se ande verdadeiramente a compreender por mais que tente “comentar” ou escrever: o “problema de tradução” – entendido aqui como “interpretação”: apenas para que na “era da transparência” e da “repulsa” pela metáfora, não sejamos tão “opacos” – tem sido contaminante. Estamos infestados de “roedores” por todos os cantos. Alguém perguntaria: “E os psicólogos? Escapam?”. Alguns – ” mas só alguns” – já conseguiram entrar no século XXI. Não é que esbracejem, como todos nós, mas, por vezes, também preferem não ouvir: o que vai dar mais ou menos ao mesmo. A cada um deles o seu livro, a sua história, a sua escola ou a sua visão. Portanto: o seu autismo. A nossa ilusão.


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