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O Jornal Público

O jornal Público ( mesmo que continue a ser o melhor dos portugueses) perdeu há vários anos aquilo que o distinguia: a ênfase dada a cronistas prestigiados e com qualidade. Continuo a ser assinante da publicação. Mas não deixo de ficar triste quando tem “opinion makers” enfadonhos e politiqueiros como o João Miguel Tavares. Falta ao jornal aquilo que o distinguia: crónicas como as do Eduardo Cintra Torres ou os do infelizmentemente falecido Eduardo Prado Coelho. Safam-se alguns. Mas não é suficiente.


2030

Aconselho a compra do número deste mês da revista Courrier Internacional que tem como tema de capa o facto de em 2030 um quarto da população não vir a ter água potável o que provocará todo o género de migrações e mais um problema que teremos de resolver. A história, contrariamente ao que dizia ingenuamente Francis Fukuyama, não pára. O século XXI é um mundo cheio de conflitos. Teremos que repensar todo o nosso estilo de vida.


O Acordo entre a Google e a Imprensa Francesa

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Hollande e Schmidt na conferência de imprensa no Elíseu / PHILIPPE WOJAZER (Reuters)

Parece que a Google, que pouca gente se atreve, ainda, a criticar – nem o pseudo- revolucionário ao estilo rede social: quando aquela se vangloria, publicamente, dos esquemas que utiliza como método de fuga a todo o tipo de impostos a nível internacional -, assinou uma espécie de acordo, mediado pelo governo, com os editores da imprensa francesa. Vale sessenta milhões de euros. Tem cheiro de armadilha e propaganda: intitula-se, sobranceiramente, “Fundo de Ajuda para a Transição Digital”. Não a obriga a compensar pela publicidade que obtém, como sempre, com conteúdos alheios – e já se sabe que, no reino das aplicações, não se emprega quase ninguém -. O que era, no fundo, a moral pretendida. Entretanto: compram-se cada vez menos jornais.  A informação de qualidade interessa pouco. Porque “existe a internet”: esse laboratório, principalmente, da quantidade. Para uma precaridade, económica e informativa, presente e futura. Mas tudo isto mostra que afinal, apesar de todo o encolher de ombros que é próprio da complexidade actual – porque, como diz Ignacio Ramonet, “informarmo-nos dá trabalho” – vale a pena lutar. O escrutínio é, contudo, ainda insuficiente.

O diário espanhol El País noticia-o, hoje, em artigo intitulado “Google pagará 60 millones de euros a los editores franceses para evitar el canon“. Redigido por Miguel Mora e Juan Peces.


“Fit to Print”, documentário sobre a crise jornalistica norte- americana, em pós- produção.

Há quem insista, de forma fundamentalista, que “é preciso” acabar com aquilo a que, agora, se chama de “mentalidade” da imprensa e do papel. Em direcção a um suposto futuro exclusivamente digital. Não se vislumbra, aqui e por vezes, onde acaba o desejo de combate geracional e começa a seriedade argumentativa. Nem o que a separa da necessidade de uma sensação de “modernidade” pela “modernidade”. De uma vontade de “sofisticação” contra aquilo que em quatro ou cinco anos – exacto: quatro ou cinco – se tornou popular chamar de “tradicional”. Ou seja: tudo o que não alimente a indústria “digital”. Enquanto existir esta ânsia em se ser “guru”: não sairemos da adolescência. A discussão não ultrapassará a fase da futilidade. Do puro negócio. Não circundaremos aquilo que importa: investigação e jornalismo. Os formatos não são comparáveis. Cada um deles representa, em termos sociais, uma vantagem adicional.

Fit to Print é um documentário que se encontra em pós- produção. Que reflecte acerca dos problemas que os jornais enfrentam nos Estados Unidos da América. As consequências que tal acarreta para a democracia. Aqui fica o sítio: http://fittoprintfilm.com/. Aqui deixo a página do facebook.


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