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A Tirania da Objectividade

Existem determinados momentos em que parece que nada nos vai sair de uma esferográfica. Agora cada vez mais: do teclado de um computador. De uma velha máquina de escrever? Lemos e relemos, livros, crónicas e artigos de opinião, para que nos surja, condensado, algo de válido. Que nos faça merecer o olhar de, pelo menos, um leitor. Como se nos encontrássemos mais ou menos acorrentados a uma espécie de “paternidade”: os ditos, os escritos e as demais produções alheias. Se formos suficientemente exigentes – e sangrentos – connosco: o tédio, como o desprazer, torna-se inevitável. E é exactamente neste ponto – um momento de silêncio – que teremos de saltar. De um lado, do abismo, para o outro. Ali: onde começam as “dores de parto”. Encontramo-nos numa encruzilhada. Que caminho seguir para não nos estilhaçarmos em cacos de vidro? É isto o que significa e o que representa a escrita. A procura e a descoberta de, sempre novos e intermináveis, pontos de fuga. Tentarmos esburacar uma firme parede de granito que não quer ser quebrada. Mas que, simultaneamente, não admite contemplações na destruição das sucessivas camadas de uma realidade interna. “A casca da cebola?”. Prosseguimos, em seguida, com vista a uma reelaboração. Mas ainda há quem nos exija “objectividade”. Objectividade? Quando é, precisamente, a subjectividade que nos coloca onde mais importa: cosmos interior. Ninguém necessita, exactamente, de conceber aquilo que criamos. Ou, para o fazer, que moldes utilizamos. Que propósito temos. Tudo isto é pedir demais. A cada um: o seu mistério. Que leiam duas, três, quatro vezes.


“Focos de Luz” (Para Além das Máquinas): Registo Retro- Humoristico para uma “Salvação” do Jornalismo

Alguns amigos já me fizeram notar, não sem alguns sorrisos, que vejo, “em todo o lado”, parecenças, nas faces de várias pessoas, com figuras públicas. É verdade. “Não é raro” o momento em que imagino, num autocarro ou a passear distraído por uma rua qualquer, o Woody Allen. Talvez seja, aliás, a personalidade com a qual mais me “encontro”. Também “dei de caras” na cidade do Porto, há muitos anos atrás e à saída de uma paragem de um autocarro, com um actor norte- americano que sempre admirei: o Harvey Keitel. Carregava vários sacos de compras e, ao reparar no meu súbito e incontrolável ataque de riso e no meu inocente e espontâneo dedo indicador apontado, penso que se preparava para me lançar com um qualquer ataque massivo. Imagino que com rolos de papel higiénico. Tive sorte: desistiu a tempo. Engoliu a raiva e foi-se embora para agredir, talvez, outra pessoa qualquer: reparei que tinha o pescoço bastante vermelho. Também “vi” um dia destes e ao entrar numa pastelaria aqui perto de casa, numa das mesas, o nosso escritor Miguel Torga. Estava a beber um café e a ler o Diário do Minho. No regresso de umas bafaradas que fui dar num cigarro que tinha comprado por 20 cêntimos – Sim ! Com a crise: eles estão de volta ! -, num local próximo, disse-lhe: “a sua cara parece mesmo a do Miguel Torga“. “Obrigado”, respondeu. Sem conseguir disfarçar o sorriso que lhe acompanhava o orgulho. Reparei, depois de me sentar e enquanto me concentrava nas múltiplas combinações do pensamento freudiano através de uma pequena biografia de Octave Mannoni , que olhava para mim, de vez em quando, com um ar nitidamente satisfeito. Fantasiei que passaria a andar pelas ruas, a partir desse instante, de uma outra forma. Que iria percorrer e folhear todo o Miguel Torga que temos disponível pelas bibliotecas nacionais. Nesse mesmo café também costumo encontrar muitas vezes sentado na mesma mesa, normalmente sem fazer absolutamente nada, o filósofo José Gil. Está lá quase todos os dias. Limitando-se a olhar, movendo a cabeça vagarosamente, para as pessoas que entram. Imagino,  quando sou eu a entrar, que também repara em mim. O que me deixa num estado mais ou menos delirante – que me é bastante próprio – a perguntar: “será mesmo ele? Refugiou-se nesta parvónia – Braga ! – para quê?”. Também costuma seguir, com os olhos, os livros que costumo levar. O que só me acrescenta “esperanças”. Nunca lhe perguntei nada por não me querer “desiludir”. E, claro, tentar evitar alguma cena absurda. Prefiro fingir que encontro o Miguel Torga e o José Gil.

Contudo: o que escrevo tem um objectivo um pouco mais concrecto. O trabalho de José Gil, editado pela Relógio de Àgua no ano de 2003 e intitulado “Cansaço, Tédio, Desassossego”, foi apreciado recentemente com o “Grande Prémio de Ensaio Eduardo Prado Coelho“. Contou com a promoção da Associação Portuguesa de Escritores e com a da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão. Ainda não li, infelizmente, a obra distinguida mas, assim que puder, deito-lhe as mãos. Tenho, na minha pequena biblioteca, apenas um: o já clássico e, para algumas pessoas, irritante – imagino que também, embora não só, por ter constituído, dentro da área do “ensaio”, um sucesso editorial – “Portugal: Hoje, O Medo de Existir”. Várias vezes o dei a entender através de algumas das minhas crónicas: gosto de figuras “maiores”. Que se conseguem destacar e imprimir, culturalmente, pela perseverança, por uma “diferença” possível, por uma tentativa de dissidência e pela originalidade. Pura “megalomania”? Não só. É desta forma que se fazem perguntas. Que se colocam questões que poderão ser determinantes. Contudo: penso que para isto é necessário uma coisa, bastante importante, que hoje em dia está, virtualmente, reduzida: o tempo. E “afastamento”. Tempo para pensar porque tempo para reconstruir. Mas aquilo que mais me captou a atenção no artigo referido foi o nome de Eduardo Prado Coelho. Admito: vieram-me as lágrimas aos olhos com saudades. De quando ainda me dava um enorme prazer comprar o jornal diário Público durante todos os dias da semana: tinha mais páginas, uma opinião com qualidade superior e, principalmente, consistência. As crónicas de Eduardo Prado Coelho eram diárias e, embora algumas fossem mais interessantes do que outras, havia quase sempre aquele pormenor – o detalhe – indispensável. É isto, quanto a mim, que faz o grande artigo ou o grande cronista: o detalhe de excepção. Que, habitualmente, apenas se consegue melhor tecer com vasta leitura e com o passar dos anos. A comunicação social portuguesa, como sabemos, está empobrecida devido a inúmeros factores. Não é raro o facto de serem, exactamente, os “dissidentes”, numa época em que as linhas editoriais se standardizam a todos os níveis, a serem despedidos. Ou, utilizando uma expressão com a qual agora se costuma tentar suavizar, “dispensados”. Os “Eduardos Prados Coelhos” deste mundo não podem morrer. Muito menos serem esquecidos. Pelo contrário: precisam de ser, de vez em quando, novamente enaltecidos. Para que nos continuem a servir de guias e de exemplos. Deviam ser erigidos por uma população que se encontra, actualmente, mais ou menos amorfa e adormecida, pelas redes sociais, em termos jornalísticos e literários. Não me parece que ande, para já, a existir uma grande substituição. Apesar do “nascimento” de alguns nomes que, pelo menos através da imprensa generalista, começam, quanto a mim, a adquirir uma desenvoltura que nos convém seguir. Como considero ser actualmente o caso – uma das minhas recentes excitações – de António Guerreiro. Que vai fazendo um bom caminho através do suplemento y – felizmente existente, ainda, em formato papel – do jornal Público. Num mundo cada vez mais “económico”, apesar, paradoxalmente ou não, da precaridade crescente e contínua, eles precisam de se manter: para que nos possam manter. Por constituirem – e construirem – novas passagens como focos de luz: expressão que tenho utilizado regularmente para os tentar definir. Não existe rua que se possa atravessar convenientemente sem a existência de “tochas”. Hoje “vi” o Eduardo Cintra Torres. Não foi a primeira vez.


O Confronto de Bartleby Com o Planeta Terra

“Já tudo foi escrito”: afirmou Bartleby. Essa espécie de homem que não pára de andar em circulos, com os dentes semi- cerrados, sem chegar, efectivamente, a lado nenhum. Como se, realmente, o desejasse. “Tens a certeza?”: contrapôs, entristecido, o Planeta Terra. “Sim ! Repara: muito daquilo que nos foi, e que nos continua a ser essencial foi elaborado, pensado, pintado e escrito – e com todas as cores ! – de uma forma muito mais rica e simbólica a partir da Antiga Grécia. Que vontades dali vieram ! Passámos, entretanto, por uma longa fase negra, embora diversa como em todas as épocas, no que respeita a uma interpretação da “existência” e da “realidade”. Felizmente que muito desse significado, mesmo que encontrado em cacos depois de ter sido marcado na pedra, acabou por ser recuperado. O que favoreceu uma  reabertura e, por isto, uma recriação. Desde a época do Renascentismo, com altos e baixos e através de inevitáveis ciclos, não parámos de, em certo sentido, evoluir. Repara, como exemplo, em toda a tecnologia que conseguimos desenvolver e que estamos, presentemente, a produzir. Mas olha, principalmente, para tudo o que se escreveu, ou se pintou, com a passagem dos séculos. Olhemos, também, para a complexidade. Que se teima agora em perder, em reduzir e em recusar. Que percorreu, por exemplo, o fascinante vulcão de ideias, de sementes e de uma verdadeira “inovação” que construiu todo o século XX. Chegamos a um momento em que, nos domínios das artes e da literatura, pouco parece ser ultrapassável. Acrescentamos, quase unicamente, “estatísticas”. Há quem o defenda e quem o advogue: alguns pretendem, através da retórica, acabar com tudo isso. Será necessário? Em nome de quê e em nome de quem? Com tanta liberdade e andamo-nos a castrar. O quê?? É que, neste momento, recomeçamos a simplificar. Escrevendo, como se costuma dizer, por exemplo, para os lados de Inglaterra, com uma forma cada vez mais “limpida e cristalina”. Dizemos “adeus” às metáforas: a tudo o que foi – e que poderia voltar a ser – realmente individual, emocional e profundo. Abraçamos, outra vez, a superfície moral: “as biologias !”; “as neuro- ciências !”. Ao ponto de já existirem alguns robôs a “escrever”, a “decidir”, a “criar” por nós. Existirá algo mais “simples”? Tudo se deseja compreensível: “directo”, “eficaz”, “objectivo”. “Nada que tenha a ver com a natureza humana: fujamos dela !”. E, realmente por tudo isto, a “realidade” torna-se menos explicável. Estamos, novamente, em terrenos do triunfo da “matemática”, da computação, de um “cérebro” sem corpo. Já tudo foi escrito. E, no entanto, nunca existiu tanta “leitura”, nunca se viram tantos “livros” e nunca houve, a circular, tanta “informação”: “dados”, “factos” e “estatísticas”. Numa ausência de mundo, de plantas carnívoras e adocicadas, de música e planetas interiores. Nada de inteiramente novo se faz. Autores contemporâneos, também em nome do mercado, não querem ser contaminados. Têm “medo” de ler determinadas obras porque as consideram “ultrapassadas” – que, muitas vezes, não o estão: apenas para o necessário espírito do tempo que corre; que quer correr -, “antigas” e “tradicionais”. Esta vontade de velocidade: fugindo de quê? Esquecendo o quê? Deixam de as entender. E suspeito que não desejam voltar a compreender. Seria tudo demasiado…”.”Complexo, Bartleby ? Chegaste a um ponto fundamental”: retorquiu, desiludido, o Planeta Terra com este outrora grande homem que, para ter amigos, se transformou em homensinho. “Tens ficado com um problema de memória. Anuncias por aí que queres “formatar o sistema”. “Fazer a revolução! “. Dizendo, enquanto andas em circulos e de mãos atrás das costas, que já tudo foi escrito. Existe, contudo, um pormenor importante que também tens “esquecido”. “Qual?”: inquiriu, Bartleby, visivelmente  irritado e desafiador. “Repetes e repetes que já tudo foi escrito. Mas, de certa forma, o único grande problema é teres ficado com as costas demasiado pesadas e, por isso, demasiado quebradas. A questão é que existe algo, para lá do “conhecimento”, que é igualmente importante”. Barleby não tinha a certeza se desejava saber a resposta. Talvez as dúvidas e, ao mesmo tempo, tantas certezas lhe dessem algum jeito para, lá no fundo, não resolver problema nenhum. Talvez gostasse de ter ficado com as costas pesadas. Mas, a medo, avançou: “o quê?”. Planeta Terra: ” Corta a corda, Bartleby ! Olha para lá do “conhecimento”. Utiliza a imaginação. Achas que já tudo foi escrito. Contudo: nem tudo foi inscrito !


Arte e Antídoto

As biografias “apaixonam-me”. Escritas ou filmadas. É um género que nos põe os pés definitivamente assentes na terra – ou ausentes da Terra? – relativamente a figuras que, para o bem e para o mal, nos habituamos a admirar. Têm a faculdade de nos mostrar a realidade, que se tenta esconder, por trás daquilo que se compôs, filmou ou escreveu. Assim como, ao que parece, a “consciência” tem o propósito de confirmar ou de contrariar aquilo que verdadeiramente se sente: uma biografia, bem esmiuçada e detalhada, revela-nos o homem – ou a mulher – que se esconde por trás da “máscara”: de um propósito social. Mesmo existindo um sentido construtivo -: não me parece ser raro o facto de que aquilo que é, por exemplo, escrito constituir uma espécie de panaceia – o antídoto – para os sofrimentos e os desejos, psico- sexuais e amorosos, de um autor. É exactamente neste ponto que começamos a falar em “optimismo”. Expressão, assim como “a razão”, que terá tantos significados como protagonistas. A escrita, a música e o cinema como manifestação de “doenças”. Projecções positivas para o “mal estar”. “Encher o mundo de delírios que entretenham – e enganem – os outros”: diria, desta forma, o melhor paciente. Focos de luz para si próprio. Mas que sirvam, também, os outros com lágrimas, sorrisos e algum enaltecimento. A cada um o seu vulcão: aproveitemos a lava.

 


A Nossa Ilusão (Um Problema de Tradução)

Assistimos, no momento presente, a um problema de “tradução” que considero ser, tendencialmente, mais ou menos geral: muita gente a “esbracejar” dentro e fora de redes sociais. Mais do que do livro, do artigo de opinião, do “conhecimento” ou da “informação”: podemos baptizá-la, num contexto que é favorável a todo o tipo de catalogações apressadas, de “Sociedade do Comentário”. Há não muito tempo atrás, para dar um exemplo que me parece ser essencial, um tradutor de uma obra específica não teria de conhecer, unicamente, um determinado idioma na perfeição. Ele era “obrigado” a dominar o campo de estudo, a conhecer a fundo o autor a traduzir, ser mais ou menos especialista – no que isto tem de “tradicional”, “antigo” e, portanto, pormenorizado – em filologia para conseguir determinar o contexto temporal e, por isso, moral em que determinada obra, palavra ou expressão teria sido escrita. Se fosse caso disso. O que, em certa medida, “acabou”. É um género de gente que, hoje em dia, serve para “abater”: eles “pretendem” dar cabo da “democracia”: é que, agora, qualquer editora ou start- up pode, gratuitamente ou por “cinco tostões”, contratar um “chacal” que vagueie pela “China”. Isto passa-se em grande parte dos sectores comerciais: “É a crise!”. Favorece-se, para a combater, portanto: mais crise. Não admira que pouca gente se ande verdadeiramente a compreender por mais que tente “comentar” ou escrever: o “problema de tradução” – entendido aqui como “interpretação”: apenas para que na “era da transparência” e da “repulsa” pela metáfora, não sejamos tão “opacos” – tem sido contaminante. Estamos infestados de “roedores” por todos os cantos. Alguém perguntaria: “E os psicólogos? Escapam?”. Alguns – ” mas só alguns” – já conseguiram entrar no século XXI. Não é que esbracejem, como todos nós, mas, por vezes, também preferem não ouvir: o que vai dar mais ou menos ao mesmo. A cada um deles o seu livro, a sua história, a sua escola ou a sua visão. Portanto: o seu autismo. A nossa ilusão.


A Perigosidade da Escrita

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Não é raro termos que ter bastante cuidado com aquilo que “resolvemos” escrever. Após e quando o estamos a fazer. Ainda mais do que ler – e, na fase actual, com toda a desinformação que circula velozmente – : precisamos de utilizar, não uma nem duas, mas, pelo menos, três luvas para não nos ferirmos. A escrita pode ser uma seta apontada contra nós mesmos. Principalmente quando temos a “lata” de sermos “poéticos” num mundo que se tornou pretensamente “científico”. Nunca sabemos, com uma palavra, que pedregulho estaremos, inconscientemente – no seu significado infantil e não freudiano -, a tentar levantar. Que mistério estaremos a destruir. Que inflamação estaremos a activar. Há expressões – que parecem ter vontade própria – que são utilizadas para esconder: contra aquela inocência que pretende que todas servem “para comunicar”. A minha experiência mostra-me que, por trás de cada uma – por “mesquinho” que isto possa parecer, interessa, aqui, o pormenor -, pode estar, à espreita, um “monstro” a ofegar. Quem costuma escrever sabe que, para além do prazer de o fazer, existe uma dificuldade, um medo, um “terror”: o que virá a seguir ? É exactamente isso que nos faz, por um momento, parar. Evitar um artigo. Deixar um livro por acabar. Quando há qualquer coisa que começa a espreitar: pomo-nos, rapidamente, a tapar. Evitando, deste modo, aquelas linhas. Julgo que, normalmente, “as piores”. Ou afinal: por serem exactamente as melhores? Um texto, assim como a dor, poderia ser “melhorado” indefinidamente. Contudo: “duas” revisões, por uma questão de cautela, bastam !


E- book: instabilidade como “Inovação” como instabilidade

Ainda existe – o termo não estará bem aplicado: há, na realidade, cada vez mais – quem glorifique, sem contraponto, o, muito recente, universo, escapista, da constante “innovation”. A perpétua “disruption”. Como se o novo, ainda não consumido, e a par do desejo de modernidade – este medo das origens – fosse o único valor desejável. Entende-se: é precisa, alguma, distracção. Esquecermos a crise. Para, quem sabe e em jeito de fuga para a frente, entrarmos noutra. Se não nos ultrapassarmos para lá desta situação. Deste encalhamento. Na defesa, pela defesa, da criação “a partir do caos”. Demanda pela instabilidade social e laboral – para, no fundo, não sairmos do sítio? -. E, em tudo isto, são especialistas os “apologistas da fragmentação”. Os “gurus da comunicação”. Neo-“evangelistas” dos media. O E- Book, que há poucos anos era considerado, no mercado, global, da “opinião”, a melhor coisa do mundo, normalmente, para quem pouco leu – embora não seja mau -, parece não estar a gerar o interesse pretendido pelos adeptos da “digitalização e da transição total”. Admitamos: não será, totalmente, de admirar. A pressa no pensamento, na análise e na postagem – a necessidade de fuga e de comércio – faz parte de uma ultra- globalização que prossegue em espiral. Principalmente em direcção aos gigantes da tecnologia e do digital. Os actores – exploradores – económicos do momento.. Que, muitas vezes como entretenimento, teimam em tentar secar tudo em redor. Mas, afinal e para nos integrarmos numa outra corrente – a “relativização total” -, existe, também, quem defenda a substituição integral das árvores por cópias plastificadas a nível internacional. Para isto: conferir a obra de Hermínio Martins intitulada “Experimentum Humanum”.

Este devaneio: a propósito de uma crónica , publicada ontem no El País, de Sergio Ramírez. Vice- presidente da Nicarágua. Sobre a possibilidade de sobrevivência, junto aos restos, daquilo que se poderia constituir como uma intemporalidade. Imune a ejaculações momentãneas: o livro em papel. Chama-se “Paisaje de batalla“.


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