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O Jornal Público

O jornal Público ( mesmo que continue a ser o melhor dos portugueses) perdeu há vários anos aquilo que o distinguia: a ênfase dada a cronistas prestigiados e com qualidade. Continuo a ser assinante da publicação. Mas não deixo de ficar triste quando tem “opinion makers” enfadonhos e politiqueiros como o João Miguel Tavares. Falta ao jornal aquilo que o distinguia: crónicas como as do Eduardo Cintra Torres ou os do infelizmentemente falecido Eduardo Prado Coelho. Safam-se alguns. Mas não é suficiente.

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2030

Aconselho a compra do número deste mês da revista Courrier Internacional que tem como tema de capa o facto de em 2030 um quarto da população não vir a ter água potável o que provocará todo o género de migrações e mais um problema que teremos de resolver. A história, contrariamente ao que dizia ingenuamente Francis Fukuyama, não pára. O século XXI é um mundo cheio de conflitos. Teremos que repensar todo o nosso estilo de vida.


O Ser Humano e a “Retórica Cerebral”

Uma vista de olhos pelas páginas dos jornais nos últimos anos, por artigos de opinião, pelos programas de televisão nos, cada vez mais, sensacionalistas canais de cabo, alguns deles com espírito bastante desinformativo em estilo YouTube e reparamos que, quando tratam de matérias relativas ao ser humano, muitas vezes confrontam- nos com aquilo que penso ser uma das reduções civilizacionais do momento: a retórica do “cérebro”. As neuro- ciências, embora sejam, na minha opinião, úteis como complemento de outras disciplinas ligadas à psicologia humana, introduzem na linguagem corrente uma espécie de “despersonalização” social. Evita-se o “eu”, o “nós”, o “corpo” e o Homem enquanto ser uno e completo para se fazer uma “fuga” explicativa. Do “coração” para o “ponto mais alto”: uma “superioridade”. Encaixa bem nas páginas dos jornais: tudo o que nos diz respeito é- nos servido à base de “estudos” e estatística. Dá-nos uma sensação, um pouco totalitária, de compreensão de todo o género de fenómenos humanos. Não duvido, adicionalmente, que tal “imposição” dê bastante dinheiro à indústria farmacêutica. Ou que nos “aproxime” da conversa recorrente sobre Inteligência Artificial que tanto interessa a alguma da filosofia, política e comercial, tecnocêntrica actual. Como sempre, relativamente a várias áreas, nos últimos anos: a vontade é de fuga. Sempre “para a frente”, desde o início da crise económica e financeira, parece ser a solução para quase todas as questões. Penso, contudo, que precisamos  de uma certa re- integração. O corpo, a história, a ciência e o conhecimento representam totalidades: existe uma memória. Reduzirmos a consistência e a densidade das teorias afectas ao ser humano para que possam caber em páginas de jornais não faz sentido mas, acima de tudo, não nos dá sentido.


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